27.5.17

MYRA LANDAU



Mexicaanse Ambassade

10 jun 2017 t/m 5 jul 2017
  • Klinkenberggalerie I
  • Klinkenberggalerie II
Opening zaterdag 10 juni om 16.00 uur
Mexican rhythms in The Hague
Through their artwork, artists Nancy van Overveldt (1930 – 2015) and Myra Landau (1926) coincide for the first time in The Netherlands, at Pulchri Studio, The Hague, thousands of miles away from Mexico City, where both lived and worked for many years, and where they received the influence of Mexico’s artistic life.
Both artists form a bridge between Mexico and the Netherlands. Nancy van Overveldt, originally Dutch, and born in The Hague, moved to Mexico in 1951 where she developed her own style influenced by the great muralists and Mexican artists of that time. Mexico’s brilliant light and huge dimensions, where people live amidst the interplay of cosmic forces, can be found in Van Overveldt’s paintings. She shows naive realism in her compositions of impressionistic figures, captured in Mexican celebration scenes.
Myra Landau, originally Romenian-Brazilian, currently living in Alkmaar, was married with Miguel Salas Anzures, head of the department of fine arts of the Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA) in Mexico City. There she first dedicated herself to etching and abstract painting. In 1965 she found new inspiration in lines drawn in the sand of a Mexican beach. It was the start of a long series of paintings, all of them called Ritmo. Landau is an early representative of Mexican abstract art, as well as the first artist to paint on raw linen.
Landau is an early representative of Mexican abstract art, as well as the first artist to paint on raw linen.

Crônica diária

Jo Nesbo, O Morcego

Harry Hole é um inspetor criado pelo escritor norueguês Jo Nesbo, e seu primeiro caso é narrado nesse eletrizante romance policial. Já fiz comentários sobre outros dois livros do mesmo autor. "Boneco de Neve", e "O Fantasma", recentemente. Podem colocar em suas listas de boas e divertidas leituras "O Morcego". Aqui o personagem é enviado pela polícia de Oslo, onde mora para acompanhar um caso de estupro e morte de uma linda norueguesa em Sidney, na Austrália. Quem conhece a cidade vai adorar. Quem não conhece, passará a conhecer um pouco dos hábitos e costumes, lendas e tradições dos habitantes desse povo. A trama, como sempre, é surpreendente e muito bem elaborada.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Uma decisão bem lógica a do anão que se decidiu pela Lurdinha.
E o noivo da Gracinha desistiu de casar e de viver.
Para ele, Rua das Noivas jamais !
Nem qualquer outra rua em Brasília ou noutra qualquer cidade.

NOTA : Fui rindo a cada linha que lia e bem desperto pelo sucessivo suspense que me aguardava na seguinte.
Uma história trágico-cómica muito boa !

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 26 de maio de 2017 04:41:00 BRT 

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26.5.17

Colheres de bambu do ÀLVARO ABREU

 Agora são minhas essas duas COLHERES DE BAMBU do ALVARO ABREU
Outro detalhe sobre mesa de vidro
Vista geral da sala onde estarão expostas as duas COLHERES DE BAMBU

Crônica diária

Roberto, com adaga, não

Maldita hora que o Cassinho falou da existência do concurso/oficina Desafio dos Escritores DF. Antes não tivesse eu inventado de participar. Ele mesmo "amarelou". Fui eliminado na primeira semana. Na primeira provocação, como o Roberto Klotz chama seus desafios. Mas de brincadeira, como exercício, continuei escrevendo sem participar do grupo dos 21 concorrentes. O Cassinho comentou que o meu terceiro conto já estava mais "encorpado". Meus leitores cativos gostaram dos três. Resolvi esperar pelo quarto desafio. O Roberto esta complicando as coisas gradativamente. Veio com um "cenário da Rua das Noivas". Em Brasília, evidentemente. Eu não conheço, mas aposto, sem medo de errar, que deve ser brega e parecida com todas as "ruas das noivas" de todas cidades do Brasil. "O personagem, em vez de um, são dois: gêmeos". E explica que pode ser um signo, ou dois irmãos do mesmo sexo, ou de sexo diferentes, idênticos ou não. E para completar o  objeto-chave desta vez é  "uma adaga". Onde o Roberto esta com a cabeça! Desconfio que anda lendo muito Paulo Coelho, que segundo ele próprio, Roberto,  as pessoas criticam, sem terem lido. Mas "adaga" é coisa de conto "fantástico", de alusão a poder, e simbolismo. Me nego a escrever um conto nessa linha. Poderia até inventar uma história com muita ação, uma vez que fui criticado (e com razão, diga-se de passagem) no primeiro conto, "O alemão obsessivo", por falta de ação, e por ter ficado dentro do clichê. Mais uma vez, "adaga" é um convite claro a um bom clichê. Nessa não caio mais. Mas também não fujo da raia. Anotem aí, Cassinho e Roberto, vou lhes contar a história dos dois anõezinhos gêmeos, que resolveram se casar. Moravam numa chácara em Edilândia a 83 quilômetros de Brasília. Não pensem que ando influenciado pelo Rubem Fonseca, que não deixa de colocar um anão em seus contos. Nem pelas cenas circenses do Fellini, com seus anões portando adagas de madeira, em exército de Brancaleone´s. Os anões gêmeos, da minha história, são ainda mais singulares. Negros e idênticos. Univitelinos. Calcular idade de um anão não é tarefa para principiante. Os nossos  tinham trinta e dois anos. Sonhavam um dia serem donos de uma pousada em Alto Paraíso de Goiás. Inseparáveis, com muita afinidade, comunicavam-se entre si com um olhar. Um deles, e como eram idênticos, não adianta tentar identifica-los, se apaixonou pela Lurdinha. Moça simples do interior. Solteira com quarenta anos. Loira cacheada, de olhos azuis, pele clara, de estatura média e peso acima do desejável. Filha de gaúchos, descendentes de alemães, que vieram do Rio Grande do Sul cultivar soja no cerrado. Um ano depois de namoro, por insistência da Lurdinha, o outro irmão começou a sair com a amiga Gracinha, que de graça só tinha o nome. Magra esquelética, cabelo ruim, olhos de lagarto, e para completar nariz adunco. Feiosa, a coitadinha. Mas os quatro resolveram casar. Como os pais da Lurdinha eram contra esses casamentos, resolveram enfrentar a família, por conta própria. Alugaram o salão de festa da paróquia. Contrataram um buffet, e uma dupla sertaneja para animar a festa. Os convites, para o casamento duplo, foram impresso em papel pergaminho e letras em relevo numa gráfica de Brasília. E para lá os quatro foram de ônibus fazer as reservas dos trajes da cerimônia. O endereço era a Rua das Noivas. Duzentos metros (segundo o Roberto) de lojas com tudo para casamento. Só não havia roupa para anões. Mas isso os dois irmãos já sabiam. As noivas foram para alugar os respectivos vestido. Gracinha muito magra, e Lurdinha acima do peso, queriam que os vestidos fossem idênticos, numa homenagem ao mau gosto e às semelhanças dos noivos. Não encontraram nada parecido para alugar. Tiveram que se contentar com vestidos diferentes. Os irmãos foram comprar terno e camisa, num shopping, em lojas de roupa para criança. Acabaram que meio fantasiados. As padronagens juvenis não tem conotação matrimonial. Mas até as duas gravatas, que compraram numa loja de adultos, eram iguais. Impossível distinguir um do outro. Mas como um deles havia esquecido o celular no provador da loja, o outro resolveu ficar esperando num bar próximo do shopping. Quando o irmão voltou, não encontrou o outro. Tentou ligar para o celular do irmão, e caía na caixa postal. Resolveu tomar um táxi e ir para a Rua das Noivas, na esperança de encontrar o irmão e as duas noivas. Elas estavam na "Duquesa das Noivas", transpirando, mas com os vestidos ajustados e o aluguel contratado. Mas nada do irmão. Esperaram por mais de duas horas, andando para baixo e para cima. Já conheciam, pelo menos pelas vitrines, todas as lojas da rua.  E nada do irmão. Perder um anão negro, sem nenhum preconceito ou ironia nessa afirmativa, numa cidade como Brasília, não é coisa corriqueira. Resolveram fazer novamente o trajeto até o bar próximo do Shopping na esperança de que o irmão estivesse na redondeza. A noite já se apresentava, e nada do irmão. O celular continuava não atendendo. Restava antes de voltarem para a chácara comunicar a polícia. Foi fácil descrever o desaparecido por conta da semelhança do irmão. Chegavam a trocar as fotos nos documentos oficiais sem que ninguém percebesse. E para dizer a verdade, nem a Lurdinha, muito menos a Gracinha sabiam quem era um, quem era o outro. Voltaram no dia seguinte a Brasília e percorreram todos os hospitais, e delegacias possíveis. Nada de encontrar o irmão. O tempo foi passando e os casamentos tiveram que ser desmarcados. Não havia clima para festa, e na verdade faltava um noivo para a cerimônia. Como resolveram a questão? Cancelaram o salão da paróquia, o buffet, a dupla caipira e o vestido de noiva da Gracinha. O irmão que estava presente para casar escolheu a Lurdinha. Se o noivo era ele, ninguém nunca ficou sabendo. Pelo sim, pelo não, quem desapareceu foi o noivo da Gracinha.


25.5.17

Assento da GOL

 No meu assento da GOL, no voo de Floripa para Congonhas encontrei esses adesivos.
Brincadeira de criança.

Crônica diária



Segredos do Romance Policial

Esse é o título do livro da P. D. James. Sobra-lhe autoridade para falar sobre o tema. Nasceu em 1920, e publicou esse livro em 2009. Durante trinta anos trabalhou em diversos setores do serviço público britânico. Seu primeiro romance " O enigma de Sally" é de 1962. Criou o detetive Adam Dalgliesch que foi protagonista de outros treze livros, até "Paciente Particular" em 2008. No Segredos do Romance Policial era destrincha o assunto em profundidade. Leitura agradável, e imperdível  para quem gosta de história e romances detetivescos. 

24.5.17

Comidinhas da Piacaba

Filé sobre molho de queijo gorgonzola, e suflê de brócolis com bacon 

Crônica diária

A fita do Temer e a marca de batom na cueca


Pouco importa agora se o batom era nacional, vagabundo, importado e caro. Ahhh, mas a fita foi editada, afirma o perito contratado pelo advogado do Temer. Pouco importa se tentaram lavar a mancha do batom. Foi mostrada uma cueca, com mancha de batom. Esse é o fato. E mais importante do que as afirmativas audíveis na fita, é a confirmação do próprio Temer. A cueca era dele, e tinha mancha de batom. Houve de fato o encontro. Houve de fato a conversa. Só o que não houve foi a interpretação que o "falastrão", Joesley quis dar. Nada disso afasta a certeza de que temos uma cueca suja de batom. E as consequências são desastrosas. Provas circunstanciais não faltam. Excluam do processo a cueca e a marca do batom. O pivô de tamanho escândalo não vai poder continuar governando o país. A governabilidade foi colocada em cheque. Não há mais a menor condição do congresso aprovar as reformas. O governo da pinguela não conseguiu chegar a 2018. O Brasil não vai acabar por conta disso. Um presidente interino, embora investigado pela Lava Jato, em 30 dias poderá substituir o Temer até que o congresso eleja indiretamente o novo presidente da República. E as reformas que são uma necessidade de Estado, e não de governo, serão aprovadas, e a Lava Jato, Polícia Federal, e Ministério Público, continuarão a árdua e fétida tarefa de limpar a sujeira que os partidos políticos, seus representantes e financiadores produziram nos últimos vinte anos. 

Comentários que valem um post



João Menéres disse...
IMBITUBA E AS MONTANHAS, ou a versão brasileira, pela mão de Eduardo Cimitan, ao romance de Eça de Queiroz " A Cidade e as Serras " !

terça-feira, 23 de maio de 2017 04:14:00 BRT
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 Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "130 anos da imigração dos LUNARDELLI no BRASIL":

Parabéns Eduardo pela efeméride.
O brasão da Família é lindíssimo!

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em terça-feira, 23 de maio de 2017 09:25:00 BRT

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Excluir

23.5.17

130 anos da imigração dos LUNARDELLI no BRASIL

Comemora-se hoje, 23 de Maio de 2017 CENTO E TRINTA anos da imigração dos LUNARDELLI

Mais três MONTANHAS

 Menor e mais alta
Aqui as novas três montanhas, ainda secando. Depois serão lixadas.

Crônica diária

Ouça o sino



O apart-hotel ficava a poucas quadras do Palácio da Alvorada, porém suas janelas não permitiam avista-lo. Aliás, por conta do andar baixo e da copa das árvores não se via nada. Mas o casal que ocupava o apartamento 122 não estava nada interessado na vista. Nem a cortina chegaram a abrir. Era a primeira vez que estariam juntos num quarto de hotel. Algumas intimidades já tinham acontecido no banco traseiro do táxi que os levou da boate até o hotel. Ela, muito ansiosa, ele meio alcoolizado, foram direto para o banheiro tomar uma ducha. O casal de meia idade aparentava boa forma física. Tinham até certo orgulho de seus corpos. Despiram-se sem maiores formalidades. Mas uma coisa chamou atenção da mulher. Dez centimetros abaixo do umbigo do companheiro havia uma grande tatuagem. Um sino. O lugar era pouco usual para tatuagens. E a tentativa de confundir o badalo do sino, com o pênis, era ridícula. A mulher achou graça e perguntou: 
Esse sino funciona?
Às vezes, meu bem. E riram.
A ducha era forte, a água quente, mas o espaço do chuveiro não permitia maiores movimentos. Ficaram abraçados por alguns segundos, e foi o bastante para o sino se manifestar. Ensaboaram-se mutuamente, enxaguaram-se e foram enrolados em toalhas macias para o quarto. Junto com o celular e a carteira do homem, sobre a mesa de cabeceira, a mulher notou um santinho de Dom Bosco. Mais uma vez intrigada, perguntou se ele era padre.
Não, minha querida. E riram, novamente.
O homem foi até o frigobar ao lado da TV, pegou duas garrafinhas de dose única de whisky, duas pedras de gelo em cada copo, e levou até a cama, onde a mulher nua lia, aparentemente com atenção o verso do santinho.
Eu explico o porquê desse santinho. Sou jornalista e estou fazendo uma matéria para a revista sobre o sonho de Dom Bosco.
Brindaram com os copos, dizendo:
Ao nosso encontro.
Conta a história desse sonho, disse ela.
Tudo começou com outro sonhador chamado Monteiro Lobato.
O do sítio do pica-pau amarelo?
Exatamente. Ele descobriu que Dom Bosco sonhara que haveria muita riqueza no solo de Brasília, muito antes dela ter sido construída, e muito antes de imaginarem que aqui seria a capital do país.
Interessante. Conta mais.
Agora abraçados, ele bebericando seu whisky, e ela acariciando o badalo do sino, continuaram a conversa.
Monteiro Lobato, como muitos outros políticos, interessados em usar o sonho do santo como avalizador de seus projetos, difundiram o que era na verdade insinuações de difícil interpretação, como são essas previsões visionárias.
Cada um interpreta como quer, disse a mulher, agora mais interessada no badalo do que na história.
É verdade.
Ele segurou a cabeça pela nuca, e deu-lhe um longo beijo na boca. Deixaram os copos de lado, tratando de fazer o sino funcionar.
Meia hora depois, suados, apesar do forte ar condicionado, cada um no seu lado da cama, só com as pernas entrelaçadas, ela perguntou:
Agora me conta essa história do sino.
Ahhh essa foi uma aposta de muitos anos atrás, com um amigo na praia da Enseada no Guarujá. Éramos vizinhos, e passávamos as férias juntos. Tínhamos dezessete ou dezoito anos, e apostamos quem conseguiria seduzir a empregada que trabalhava na casa ao lado da nossa. Era uma linda moreninha jambo, mais velha do que nós, e muito assanhada. Quem perdesse a aposta faria uma tatuagem no peito. Perdi. Fomos a Santos, onde havia um famoso tatuador, e na hora de escolher o lugar, imaginei que aqui era o mais escondido possível.
E por que um sino?
E o que mais eu poderia colocar aqui?
Riram, se beijaram, e fizeram o badalo funcionar o resto da noite.

 PS- De brincadeira escrevi esse conto com as premissas e provocações da 3º semana para os 21 concorrentes do Desafio dos Escritores DF, onde só os 21 classificados estão concorrendo.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diário":

Não conhecendo os 21 que o júri apurou, não posso afirmar que este seu conto dos azulejos de Brasília foi injustamente excluído.
Mas posso dizer seguramente que a mim me agradou sobremaneira.
E eu quase me senti retratado nesse arquitecto alemão que um dia fora menino.
Muitos parabéns, Eduardo.

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 22 de maio de 2017 04:59:00 BRT 

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Blogger Eduardo P.L. disse...
João, eu conheço os outros 21 contos e concorrentes e posso afirmar que são muito bons e mereceram serem escolhidos. O meu foi recusado por dois motivos principais, segundo um jurado, e concordo: faltou ação e ficou no clichê das provocações. Nas duas seguintes procurei corrigir essas falhas, e acredito ter escrito um conto melhor. São muito úteis essas oficinas literárias.
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22.5.17

Mais uma MONTANHA

Com esta já são seis

Crônica diário

 O alemão obsessivo 

Nascido em Munique, desde pequeno adorava brincar com régua e compasso, fazendo desenhos geométricos. Um dia seu tio, mestre cervejeiro, voltando de uma viagem ao Brasil aonde havia ido assessorar um fabricante de bebidas, trouxe alguns cartões postais de Brasília. Um deles mostrava um relógio de sol; outros, fachadas de edifícios modernos, recém-construídos, e algumas paredes revestidas de azulejos coloridos, a maioria em branco e azul. As formas e desenhos chamaram a atenção do menino. Eram de algum modo semelhantes a seus obsessivos traços geométricos. Os postais ficaram durante anos na parede de seu quarto. Muito tempo depois, já formado em arquitetura, resolveu viajar a Brasília para conhecer aqueles murais coloridos. Levou os velhos cartões postais do tio como referências. Já no aeroporto, ao passar por um mural amarelo e vermelho, desconfiou fosse obra do artista que viera conhecer. O hotel que escolhera, na chamada Asa Norte, tinha o nome do autor dos famosos azulejos. Assim que entrou no quarto, tirou do frigobar uma cerveja e tomou-a em homenagem ao tio. Com a máquina fotográfica pendurada no pescoço pediu um táxi ao porteiro e mostrou ao motorista um dos cartões postais, fazendo gestos para que ele entendesse o destino pretendido. Rumaram para o Parque da Cidade, na Asa Sul, a poucos minutos dali. Lá estava o relógio de sol que ele conhecia dos cartões, e havia também espelhos d´água, ciclovias, gramados e uma vegetação que em nada pareciam com as imagens dos postais de anos atrás. No horizonte ele via prédios do arquiteto Oscar Niemeyer, que conhecia dos livros da faculdade, e de outros que vieram depois dele. O sol estava a pino, e o alemão aproveitou para fotografar o relógio, sempre cercado de turistas. Não foi difícil avistar um ponto de ônibus e banheiros públicos com as paredes recobertas com azulejos coloridos formando os característicos desenhos do Athos Bulcão. Sentiu um frio na coluna, um arrepio pelo braço e um descompasso no ritmo da respiração ao ver os azulejos em suas formas variadas, predominando a combinação de azul e branco. Aqueles dos cartões da sua infância. Aqueles que tantas vezes tentara copiar. Que sonhava conhecer. Seus olhos chegaram a marejar. Uma emoção enorme. Caminhou até eles. Aproximou-se extasiado com a imagem que tinha na memória há tantos anos. Colocou a mão sobre os ladrilhos como quem toca os pés de um santo na igreja. Embevecido. Tomou certa distância, para fotografar. Os passantes o atrapalhavam, mas a obra de Athos fora feita para eles, não para museus e galerias. Voltou a aproximar-se, para fotografar detalhes. As formas retas e curvas, revelando desenhos abstratos, assentados com lógica ou enganosamente sem critério, eram de uma beleza inimaginável. Mais impactante do que sonhara. Queria olhar um por um. Encontrar um fora do lugar. Procurou obsessivamente. Havia lido que o artista, ao acompanhar a instalação dos azulejos, recomendara aos pedreiros que iniciassem pela fileira de cima, e depois inventassem eles próprios a disposição. No caso desse painel dos pontos de ônibus do Parque, isso não podia ser verdadeiro. Estavam magistralmente dispostos. De moderna forma, contemporânea. E foi com essa observação cuidadosa e obsessiva que ele notou, num canto, perto da abertura da entrada do banheiro, um azulejo cujo tom de azul era ligeiramente diferente. Só perceptível para olhos muito atentos. Um falso Athos Bulcão. Um azulejo pirata no meio de tantos verdadeiros. Fotografou sua descoberta. Imaginou que talvez os fragmentos do original  estivessem enterrados nos arredores da marquise do ponto. Seria um troféu e tanto. Voltou para o táxi e mostrou outros cartões, fazendo o motorista perceber o interesse do seu passageiro. Entendiam-se mais por mímica do que pelo inglês que o motorista não dominava. E aí o trajeto foi mais longo, porém não menos interessante. Brasília lembrava um pouco, na topografia e nos amplos espaços verdes, a cidade de Berlim. Tinha até uma torre de TV entre o hotel e o Parque, e nela outro painel. Fizeram longa peregrinação. Em cada construção que exibia um mural, o motorista estacionava. Brasília estava repleta deles. A emoção de vê-los pessoalmente foi enorme. Fez questão de parar em cada um. De colocar a mão nos azulejo frios, em azul e branco. Fotografá-los. Em detalhe e no conjunto. Mas não encontrou nenhum outro que parecesse falso. Finalmente, quando partiu da cidade, o alemão contemplou aquela imensidão de céu e terra e percebeu que ali era mesmo o local ideal para a obra de Athos, nome do filho de Gaia, a Terra, e Urano, o Céu, na mitologia grega.

PS- Foi com esse conto que inscrevi-me no DESAFIO DOS ESCRITORES DF
Concorreram 138 textos, e só 21 autores foram escolhidos para continuarem no certame. Eu não me classifiquei.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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