15.7.17

Crônica do Álvaro Abreu


Embromação

Embromação é uma palavra quase que fora de uso, mas foi a que me veio à cabeça ao buscar uma palavra chave para a crônica que resolvi escrever sobre a novela da duplicação da BR101, motivado por mais uma matéria publicada recentemente neste jornal. Antes de seguir em frente, por curiosidade, fui ao dicionário buscar seus sinônimos e encontrei muitos, incluindo: tapeação, mentira, trapaça, enganação, engodo, treta, tramoia, manobra, burla, embuste e engabelação. Cada um deles ganhou validade diante do tamanho do atraso das obras de duplicação e, sobretudo, das argumentações apresentadas oficialmente pelo diretor da ECO101, a empresa concessionária, em reunião na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Li que o contrato de concessão estabelece que cento e vinte quilômetros deverão estar duplicados até 2019, porém, passados quatro anos da sua assinatura, somente uns trinta deles estão em obras e nem um foi concluído. Quando se usa a estrada, o que se vê são apenas praças de pedágio, agora com cabines blindadas contra assalto, pontuais melhorias em acostamento, sinalização, muitos controladores de velocidade, alguns aterros, poucos morros sendo cortados, pouquíssimas máquinas em operação. Entre as justificativas do atraso, o diretor incluiu dificuldades em obter licenciamento do IBAMA, problemas com ocupações irregulares às margens da rodovia e a diminuição do fluxo de veículos em função da crise e da concorrência exercida pela BR116, que corta Minas Gerais. De longe, fico imaginando a presteza e o empenho da concessionária em obter as devidas licenças ambientais e resolver as pendengas com donos de biroscas, de pequenos sítios com plantações de mandioca. Aqui, com toda certeza, a embromação calcada nas dificuldades burocráticas é que é a alma do negócio.
  
Não sei quantos milhões a ECO101 já arrecadou nem quantos já morreram na estrada. Sei que só eu, que pouco viajo, já gastei uns duzentos reais de pedágio e perdi horas de vida em fila indiana, atrás de caminhão, para não morrer na ultrapassagem.

Vitória, 12 de julho de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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