18.1.18

Savannah 3º parte

 Fotos de Guilherme Lunardelli

Imagens feitas de bicicleta em Savannah

Crônica diária

Crônica da capa do livro "Contos urbanos"

Às vezes ficamos meses, até anos, matutando sobre determinado assunto e as  ideias giram em falso, repetindo-se num moto contínuo. De repente, como num passe de mágica, surge uma ideia completamente nova e óbvia para o problema. Foi assim com  o título do meu próximo livro de contos. Terá só dois contos. E um deles dava nome ao livro. Mas não me convencia. Quatro anos depois de escrito o conto, de tanto pensar sobre a conveniência ou não de manter o título fiz uma busca no Google e constatei o que já desconfiava. Haviam dezena de livros com o mesmo título. Foi decisivo para a troca por "Contos urbanos". E esse nome genérico, também tem lá seus livros, mas em menor número. Daí parti para o estudo da capa. O primeiro título tinha além de muitos homônimos, uma dificuldade a mais, nenhuma foto ou ilustração combinava. Provisoriamente pensei numa tela abstrata. Quando não se quer dizer nada, o abstrato é tudo. Com o novo título "Contos urbanos", ao contrário, rapidamente compus onze capas diferentes. Todas com fotos minhas. Sou um fotógrafo razoável. Daí um novo e crucial drama. Qual delas escolher. Mandei o layout para quatro pessoas que confio no gosto estético e prático. Capa de livro é como gravata, rótulo de vinho, embalagem de perfume. Tem que agradar ao consumidor. É o primeiro e importante estímulo. Outras considerações são sempre secundárias. Mas a minha pesquisa não foi conclusiva. Houve maioria, mas não unanimidade. Das onze capas, quatro agradaram muito a todos. Uma só, claramente repudiada por dois votantes. E entre as dez restantes acabei por eleger uma que nenhum deles citou como favorita. Levei em consideração a razão, mais do que a emoção. "Contos urbanos" não poderia ser confundida com revista ou livro de arquitetura, logo a minha foto do Copam, em São Paulo, foi descartada. Um grafite que fotografei em Berlim, e que da a impressão de azulejos, foi a mais votada, e usarei como capa de outro livro. É muito boa capa, mas para o "Contos urbanos" a escolhida é toda cinza, com uma foto de um canto de parede, preta e amarela, com um extintor de incêndio vermelho, no chão de cimento, encostado na parede no centro da imagem. Ela contém uma carga estética e visual urbana que casa perfeitamente com o título.

17.1.18

Savannah 2º parte

 Guilherme e sua aventura de bicicleta em Savannah Georgia, USA
O quarto na motor-home - 13, 14 e 15 de Janeiro de 2018

Crônica diária



De perto ninguém é normal

 Exatamente porque já virou clichê uso essa frase cuja autoria é dada ao Caetano Veloso, mas há quem diga que é do Millôr Fernandes. Não importa o pai, o fato é que caiu no gozo popular. Assim como a cantora Anitta esta bombando nas paradas e shows musicais. Acontece que no caso dela as estrias na bunda e suas imperfeições explicitamente expostas é que lhe estão dando a fama que tem. Posa nas lajes das comunidades (leia-se: favelas)  com biquíni mínimo feito de fita isolante. Mostra seu corpo desnudo com tudo que Deus não deu. Mas esta feliz com o que tem. E isso agrada multidões que estão fartas de fake, de maquiagem, Photoshop, produtos pirata, falsos e made in China. Anitta é autêntica. E de perto é que se vê que ela é normal. É coisa nossa.

16.1.18

Guilherme em Savannah Michigan

Auto-foto
A partir de hoje farei a postagem de algumas imagens dessa viagem de fim de semana numa  moto-house e bicicleta.  Destino Miami - Savannah - 485 milhas - 7,5 minutos de carro.

Crônica diária

Sanduíche

Ontem quando discorri sobre minhas birras, citei a implicância com os que titulam sanduíche como lanche. Lanche é uma refeição leve a qualquer hora do dia, inclusive um bom e saboroso sanduíche. As sanduicherias é que são lanchonetes. E nelas além de sanduíches se pode encontrar  coxinhas, pasteis, pão de queijo, joelho, sucos, refrigerantes e café. Mas nada supera um bom sanduíche. Os pães podem e devem variar de acordo com o recheio. O cachorro quente tem pão macio, salsicha, e batata palha. O Bauru tem carne, queijo, ovo, alface e tomate no pão francês. A ciabatta com ou sem gergelim podem conter um pouco de tudo, a saber: carne moída, rosbife, a milanesa, carne de porco ou de frango, queijo (de várias qualidades), presunto ( cru ou cozido) , mortadela (com ou sem pistache), alface, rúcula, tomate, ovo, pepino em conserva, pimenta dedo de moça, e o que mais quiserem. Molhos variados. E um sanduíche maravilhoso, comum na Itália, que aprendi a comê-lo quando estudava no Dante Alighieri, é pão francês com chocolate de ovo de páscoa. Chocolate fino. Amargo. Antes de critica-lo, provem. Depois me digam.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Não posso estar mais de acordo consigo, Eduardo !
Assino por baixo, logicamente.

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 07:43:00 BRST

15.1.18

Uma raridade de Cataguases

O autor do blog, não identificado coçando o saco, Olavo Moraes Barros Neto e Leonardo Carneiro

Crônica diária

Minhas birras

Segundo o dicionário: birra - substantivo feminino
  1. 1.
    ato ou disposição de insistir obstinadamente em um comportamento ou de não mudar de ideia ou opinião; teima, teimosia.
  2. 2.
    sentimento ou demonstração de aversão ou antipatia, especialmente quando renitente e motivado por algum capricho, paixão ou suscetibilidade; implicância, má vontade

    E eu as tenho. Detesto gente que fala e (pior) escreve fazendo graça. O tipo "piadista" o tempo todo. Aquele que se tem como engraçado e se vê na obrigação de não desapontar o interlocutor ou seu leitor. Muitos se creem herdeiros do Millôr, do Stanislaw Ponte Preta, do Jô Soares, do Luis Fernando Veríssimo, ou do Wood Allen. São tolos, bregas, chatíssimos. 
    Não tolero gente que fala e (pior) escreve me tratando de "cara", como seu leitor ou interlocutor. Nem os que chamam as empregadas domésticas de "secretárias". É um grave desprestígio para a classe das secretárias. Sou, portanto, completamente contra essa babaquice de "politicamente correto". E não me venham dizer "janta" no lugar do correto jantar. Nem "sertanejo" no lugar de "caipira". Muito menos "esposo" ou "esposa" no lugar de meu marido ou minha mulher. Intolerável  ouvir ou (pior) ler "niver" no lugar de aniversário, e "ex" referindo-se ao ex-marido, ou ex-mulher.  Diga o nome da pessoa e não esse execrável "ex". Eles não merecem esse desprezo irônico só porque foram infiéis ou putas. Não gosto quando chamam sanduíche de "lanche". Ando implicando também com o leitor que vive procurando Wally. Isso mesmo. Não leem para se informar, rir, ou pensar, querem é achar um erro de grafia, concordância ou sintaxe. Estão sempre procurando Wally, ou a falta de uma vírgula ou crase. E fazem questão de corrigir o autor exibindo sua prenda publicamente. Detesto quando a pessoa liga por telefone e não se identifica de pronto. Acha que tenho obrigação de reconhecer a voz pelo simples "alò". Ou que meu telefone tenha o nome e número do chamada. E muito pior os que tentam me fazer adivinhar. Gente com quem não falo há anos. São birras que me tiram do sério. Não aguento mais ouvir ou (pior) ler arengas, sempre mal humoradas, de pessoas tristonhas da esquerda burra, repetitiva, revanchista, apátrida, e cínica do Brasil. Pronto. Hoje desopilei meu fígado. 

    PS- Depois de ter lido "Nem vem" da escritora Lydia Davis acho que poderia substituir a palavra "birra" por "idiossincrasia". Ela e eu, temos em comum.

14.1.18

Parecem as minhas MONTANHAS

Adrian Bradshaw / EFE
Montañas de otro mundo. La región kárstica alrededor de Yangshuo, en la China meridional.


Aproveito a oportunidade para convidar aos meus leitores visitarem um dos meus primeiros blogs só de imagens que foi o baleiafranca.blogspot.com  
Vale a pena reve-lo

Crônica diária

John Kennedy Toole

Volto a escrever sobre o autor de um dos dez melhores livros que já li: "Uma confraria de tolos". Sua história pessoal é incrível. Aos dezesseis anos, ao terminar a escola secundária, escreveu uma novela chamada "A bíblia de neon". Ela só foi publicada postumamente, anos depois do fabuloso "Uma confraria de tolos", que por sua vez também só conseguiu um editor após sua trágica morte. Aos trinta e dois anos colocou u´a mangueira no escapamento do carro e a outra ponta entre o vidro e a porta do automóvel. Morreu envenenado, sem conseguir um editor. Sua mãe levou anos para conseguir quem quisesse lançar o livro que ganharia o prêmio Pulitzer, e centena de edições em dezena de línguas em todo o mundo. A mãe mais tarde descobre os originais da novela juvenil "A bíblia de neon", não traduzida e não publicada no Brasil. Tenho em mãos um exemplar de 1989, ano em que foi publicado nos Estados Unidos, e traduzido para o espanhol, e editado em Barcelona. Precocemente Toole já demonstrava seu estilo. Com extraordinária imaginação onde já se percebe o tom irônico e sátiro presentes na "Uma confraria de tolos".

Comentários que valem um post



olavo moraes barros neto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Olavo Moraes Barros Neto":

Sem falsa modéstia, é prazeroso ter uma criação "foto" ser publicada.
Mais ainda, ter a grata surpresa de ler um pensamento "próprio" fixado na contra capa em uma de suas obras.

Postado por olavo moraes barros neto no blog . em sábado, 13 de janeiro de 2018 11:42:00 BRST 

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13.1.18

Olavo Moraes Barros Neto

Enviou esta foto com o seguinte texto:
"Por motivos outros,  pouco tenho saído da toca. Só em ocasiões inadiáveis. Hoje foi uma.
Rompendo com *meu ócio "mesmo estando de férias permanentes " atualizei minha biblioteca. Com muita curiosidade, as horas passarão a ser amenas,alegres deixando meu imaginário  voar mais alto.
Obrigado Amigo. " Olavo
Quem agradece a foto sou eu.

Crônica diária

Alho, bobo e trouxa

Em 12 de dezembro de 2014, portanto três anos atrás, o número de leitores desta página era muito menor. E nesse dia escrevi como foi cunhada a frase: "Frango sem alho não rola". Maravilhosa expressão dita por uma analfabeta de forno e fogão. Essa é uma das características do povo brasileiro. Inculto, mas esperto. Bem humorado, já foi mais. E por que voltei ao assunto? Porque estão fritando alguma coisa com alho na cozinha. São quase uma da tarde, e esse cheirinho é uma delícia. Mas olho pela janela e chove fininho, a tal garoa paulistana. Aí me remeto ao dia 6 de novembro de 2016, quando publiquei outra frase ouvida nas dependências da minha casa:"...chuva de molhar bobo". E essa usei recentemente, trocando o bobo por "trouxa", para variar.

Crônica do Alvaro Abreu



Casório nas montanhas

Vencidas as festas de Natal e de passagem de ano, foi a vez de celebrar o casamento de meu filho Bento com Dani, que me chama de soôgro, pais dos meus netos Manu, Theo e Gabriel. As festividades aconteceram durante esse último fim de semana, em um hotel fazenda na região de Pedra Azul. As famílias e os vinte pares de padrinhos dos noivos chegaram na sexta-feira, para a abertura das comemorações em alegre jantar de boas vindas. Os demais convidados, perto de duzentos, chegaram no sábado, a tempo de aproveitar o fim de tarde no gramado à beira de um lago de águas espelhadas, onde um pequeno coreto havia sido montado diante de cadeiras enfileiradas. Gente querida vinda de muitos lugares, a maioria na faixa dos 30 anos: amigos de infância, vizinhos de convívio intenso com o casal em Fradinhos, colegas de escola e de palcos iluminados, parceiros da criação artística em bandas de rock, em ilhas de montagem, em estúdios de gravações, na produção de shows, em sets de filmagens e muito mais.

Vistos de longe, pareciam membros efetivos de uma animada turma de irmãos da vida toda, uma verdadeira brodagem, como dizem. Homens usando paletó esporte e belas jovens senhoras em vestido longo em tons pastéis que, perfumados e radiantes por estarem ali, se cumprimentavam efusivamente. Dava pra ver que todos estavam sob ótimas expectativas de viver uma noitada sensacional, sem hora pra acabar. Muitos trouxeram filhos pequenos, por saberem que seriam cuidados enquanto durasse a festa.

Durante a solenidade, depois de ouvir atentamente palavras proferidas pelo maridão, que fizeram chorar alguns marmanjos e muitas mulheres, a noiva contou que aquele era um típico caso de amor à primeira vista, acontecido em uma noite em que os dois estavam tocando em bares vizinhos, a quinze anos atrás. Após a confirmação dos votos, os noivos, vivamente emocionados, desfilaram sob aplausos entusiasmados dos amigos queridos, dando por encerrado um longo e bem sucedido test drive matrimonial, plenamente fortalecidos para tocar a vida lá em São Paulo.

Vitória, 10 de janeiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

12.1.18

Quem lembra dessa imagem?

Dos arquivos do Varal

Crônica diária

Sou um conservador


Ganhei do meu filho um celular novo. Só a marca é diferente do meu Nokia. Agora é um Samsung, exatamente igual ao velho. Foi só trocar os chips e funcionou. Claro que eu não sei fazer, e quem fez foi o Caio. Ele de novas e velhas tecnologias entende tudo. Depois configurou. Só não conseguiu colocar uma campainha com som normal e audível. Detesto esses sons alternativos. Ando meio surdo. A campainha tem que estar no máximo do volume. Aquela que não deve soar em missa, peça de teatro ou sala de cinema. Mas esses três ambientes tenho frequentado pouco. E quando vou desligo. Mas a minha mulher conseguiu encontrar o jeito de ajustar o som. Antes que perguntem, informo que não veio catálogo. Hoje em dia basta o "menu", no próprio,  para quem entende. Depois foi uma nova luta para carregar a bateria. O antigo carregava em duas horas. Este novo esta a mais de cinco horas na tomada...e nada. Vamos ver quanto tempo leva. E se vai informar, como informava o antigo, que a bateria esta carregada. Tudo isso dá motivo para uma crônica. E mais uma vez concluo que sou um conservador. Não fosse presente de filho, e um modelo exatamente igual ao meu antigo, não trocaria por um novo, só pelo trabalho que dá. Carro é a mesma coisa. Só troco quando não dá mais. De preferência pela mesma marca, modelo e cor, só o ano de fabricação que muda. E mesmo assim, vem completamente diferentes. Onde esta a alavanca que regula o banco? Onde esta o botão que abre o porta-malas? Onde fica o liberador da tampa do combustível? Mas no caso dos carros ainda vem com manual.

11.1.18

Uma vista geral

Uma vista conjunta e geral das capas dos meus livros mais recentes. O preto e vermelho estão predominando. Precisamos mudar isso.

Crônica diária

No tempo de escola não conta

Leonardo por telefone, reclamou que cito com muita frequência o Ruy Castro. É verdade. Mas justifico-me dizendo que uma das razões é que sou leitor assíduo do cronista, jornalista, e escritor mineiro ipanemado desde muito pequeno. Saiu de Minas sem conhecer uma vaca. Foi faze-lo num hall de hotel em Ipanema. Já era adulto e namorava a Heloisa Seixa que testemunhou o encontro. E foi a primeira e ultima vaca que diz ter visto na vida. Rubem Braga, que o Leonardo reclama que também cito muito, nunca quis ser conde. Digo, também, porque o Ruy não queria ser príncipe. Tem a mesma idade do Charles da Inglaterra, e vem acompanhando a vida do herdeiro do trono que pelo jeito nunca nele sentará. E não inveja o "jaburu maternal" Camilla, sua mulher. Mas o Leonardo ainda lembra minhas muitas citações do Nelson Rodrigues que citava, por sua vez, Aloysio Salles, advogado, grã-fino e boêmio carioca que dizia "O homem só gosta do que comeu em criança". E para finalizar o Leonardo, brincando evidentemente, me pede para voltar a contar a frase do boêmio e empresário paulista Américo Marques da Costa (o pai), que ao dizer que "No tempo de escola não conta", dava uma sonora e gostosa gargalhada. A que se referia o Américão? A qualquer insinuação de que naquele tempo os garotos de calça curta passavam a mão na bunda dos colegas. "No tempo de escola não conta." Hoje chama bullying. 

PS- "Ipanemado" é uma licença poética em homenagem ao Guimarães Rosa, que li aos dezoito anos, por sugestão do meu professor de Português, em Cataguases, Prof. Gradin. Na época e sob forte influência do Rosa, escrevi numa redação "jumengar", andar de jumento, evidentemente, e fui repreendido.

 

Comentários que valem um post




João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Piacaba, grifada em amarelo":

Agora sim. Aqui se vê todo o paraíso onde se situa a Piacaba, onde mora esse insuperável Eduardo !
E até se vê a barra aberta por onde o mar entra, por vezes, na lagoa.

Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 10 de janeiro de 2018 07:47:00 BRST 

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10.1.18

Piacaba, grifada em amarelo

Barra de Ibiraquera, com a localização da Piacaba. Vê-se a Praia do Luz e a do Rosa, e a esquerda no alto a Lagoa de cima. Isso é Imbituba, SC

Crônica diária

A sorte é lançada a todo instante

Ontem fui conhecer o filho de uma amiga. Esta com cinco dias de vida. Uma coisa maravilhosa a natureza. Perfeitinho. Como foi cesariana a criança nem deformada fica. Dormia na santa paz. Para mamar deu um trabalhão para acordar. As mamadas devem ser regulares e com as horas certas. Determinação da pediatra. Ele reclama, reluta e depois de deixa-lo completamente nu, acorda de mau humor e mama. Mama e volta a dormir. Um santo. Matéria prima virgem para vir a ser qualquer coisa na vida. Um novo, ou talvez até melhor, Einstein. Um outro Michelangelo ou Picasso. Um indivíduo com educação de príncipe inglês. Um João XXIII ou um samurai. Pode vir a ser um Marcello Mastroianni ou Godard. Ou quem sabe um Steve Jobs ou Luciano Pavarotti. Tudo depende do DNA e da educação que receber. Das duas coisas e de muita sorte. Mas tudo, a partir de agora é possível. É massa virgem para ser modelada a critério dos pais, do meio, e da sorte. De muita sorte. A maioria, quase absoluta dos casos, nem o DNA, nem a capacidade e meios dos pais, e nem a sorte conjugam esforços para dar certo. É  uma pena. A chance, a natureza oferece a cada instante. Cabe a nós humanos aproveita-la da melhor maneira possível. 

Comentários que valem um post


João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Os seus TEXTÍCULOS são excelentes nacos de leitura.

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 9 de janeiro de 2018 12:52:00 BRST 

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 Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Três imagens de beira mar":

A 1ª Foto é muito boa!
Parabéns Eduardo.

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em terça-feira, 9 de janeiro de 2018 16:03:00 BRST 

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9.1.18

Roma

Panorâmica em Roma. Foto do meu arquivo.

Crônica diária

Não troquem o X pelo S

O primeiro sinal de alerta, ainda na cor amarela, começou a  se dar quando percebi que estava gostando dos elogios. Mas quem não gosta? O problema esta em acreditar neles. Quando começam a chamar meus textos de "geniais", é motivo de severa preocupação. Tenho senso crítico razoável para não me levar a sério. Muito menos esses adjetivos. Mas uma leitora, dia desses, escreveu nos comentários : "Um ótimo Natal e que seus textos e testículos, continuem preenchendo nossas vidas. São ótimos, parabéns !" Foi uma tirada de humor, esta claro. Mas espero que não confundam minha capacidade de agradar, fazendo humor, e procurando entreter com inteligência sem, no entanto, colocar os testículos no meio. Ela exagerou. Trocou o X por S. Estava certamente referindo-se ao meu livro "Textículos - Pequenos textos".

8.1.18

Relembrando Roma

Foto do arquivo. Como dente cariado, paralelepípedo com obturação de ouro.

Crônica diária

Leonardo, eu e o vinho do Paulo

Em 2018 ainda não falei sobre o Leonardo. Ele procurou-me no fim do ano para almoçar. E como de costume tomamos um bom vinho para comemorar o fim do velho, e saudar o ano novo. Como todos os anos. A escolha do vinho este ano recaiu num excelente e caro vinho paulista. Isso mesmo. São Paulo já produz um dos melhores e premiados vinhos brasileiros. O Paulo, dono da vinícola, é filho de um amigo do meu avô, sócio do meu pai, e com quem trabalhei na juventude, Ovídio Miranda Brito. Na hora da escolha alertei ao Leonardo que não era vinho barato, e que coisa boa é sempre cara. Ele fez cara de paisagem, como sempre faz, quando a conversa não o interessa. Mas adorou o vinho. Tanto que tomou meio apressadamente. Logo se soltou e começou a relembrar coisas de um passado que até até Deus duvida. Lembrou do nosso amigo Laodse Tung que tinha uma camionete Rural Willys, verde e branca, e nela o Leonardo foi desvirginado por uma morena jambo, grávida, que fazia ponto na Praça Buenos Aires, na avenida Rebouças. E comentou que naquele tempo era comum "namorar" no banco traseiro, sob o testemunho do amigo motorista, rodando pelas desertas ruas de um novo bairro chamado Morumbi. Outros detalhes das lembranças do Leonardo são impublicáveis. Terminado o almoço, quando veio a conta, Leonardo ainda contestou-me: "Você disse que o que é bom custa caro, mas minha morena jambo, e grávida, era quase de graça." Rimos, e fomos cada um num táxi para casa. E lembrem-se: "se beber não dirija".

PS- O nome da vinícola do Paulo Brito é Guaspari, e fica no Espírito Santo do Pinhal, SP. O nome do vinho Vista da Serra -2011. O preço depende do ano/safra e do restaurante. Mas vendem diretamente para o consumidor pelo telefone: (19) 3661-9190.

7.1.18

Três imagens de beira mar



Todas do autor do blog

Crônica diária

Não queiram me pautar, porque não vão

Já foi o tempo que alguns leitores me cobravam opinião sobre determinado assunto. Raramente atendi. Não atendo mais. Como não escrevo sobre o dia do índio no 19 de abril, nem no 7 de setembro, ou no 15 de novembro. Acho lugar comum, um clichê, escrever sobre o natal no natal. Sobre o carnaval no carnaval. Sobre eleições ainda passa, porque acontecem de quatro em quatro anos. Embora os partidos e seus integrantes sejam os mesmos ou filhos, ou netos, dos de sempre. Não me deixo  pautar, e talvez esteja aí uma das graças do que escrevo. A Maria Tomaselli estrilou, como boa austríaca, quando na véspera do natal passado escrevi sobre a ereção e coito dos louva-a-deus. Achou inapropriado o tema para a ocasião. Ao contrário, entendo que não há nascimento sem fecundação, exceção feita  à Virgem Maria, como todo mundo sabe. O que meus leitores não sabiam era que a louva-a-deus fêmea para ser fecundada mata e come seu parceiro. Ele, por sua vez, só tem uma ereção na vida, que é exatamente essa, quando perde a cabeça para sua fêmea. Os humanos diferem dos louva-a-deus na cor verde, enxergam melhor, e quando perdem a cabeça é o macho quem "come" a mulher. E estamos conversados.

PS- Nem a morte, ontem, do cronista e escritor Carlos Heitor Cony faz com que eu hoje escreva sobre ele.  Talvez um dia volte ao assunto. Hoje todo mundo vai escrever.

6.1.18

Meus sete, entre outros

Biblioteca do Clube Harmonia de Tênis, SP. Agora meu cabeçalho esta ainda mais completo, com 10.

Crônica diária



Leitura de fim de ano: Lydia Davis

Dia 29 de dezembro passado foi uma sexta feira véspera do dia 30, como sempre, e um sábado, ultimo do ano. São Paulo com cara de domingo, em mês de férias. Uma delícia. Com chuva, claro, nessa época não falta. Chuva leve, aquela que molha trouxa. Fui de carro até a livraria Zaccara e estava fechada. Desci e fui espiar a vitrine. Um livro chamou-me atenção. Lydia Davis, "Nem vem". E a capa não tem nada de especial. Um desenho discreto de uma escada de cinco degraus. Ficções. Voltei para casa e fui a pé, apesar da garoa, até a Livraria da Vila. Fica à poucos metros de casa. Não encontrei o livro do Philip Roth que procurava. Comprei o livro da Lydia. Na contra capa li: "...a escritora inaugurou um gênero absolutamente inclassificável, marcado por inteligência, humor e uma boa dose de estranheza". Na orelha ainda li que seus textos tem inadequações, humor, idiossincrasias. E conta que a autora deixou de receber um prêmio literário por ser considerada "preguiçosa". Ela explica que o que queriam dizer com "preguiçosa" é que ela é econômica. O título do livro: "Nem vem"  é parte abreviada da expressão "Nem vem que não tem". Minha mulher usa muito essa expressão. Eu detesto. Mas acho que vou adorar o livro.

5.1.18

Comemorando


Crônica diária

Agora sexo só com declaração explícita

Minha mãe dizia: "Quando um não quer, dois não fazem." Mas isso é do tempo da minha mãe. Hoje na Suécia e na França os governos estudam criar leis que determinem que parceiros sexuais pratiquem seus atos só depois do consentimento explícito. Vale para homens e mulheres. Entre si, ou como quiserem. Alegam as autoridades desses países que a medida é para dificultar o crime de estupro, ou de assédio sexual, que vem abalando o mundo, depois das denúncias de famosos de Hollywood. Pode parecer piada, mas aquilo que sempre foi natural entre os sexos, passou a ser motivo de chantagem, publicidade, processos, escândalos e manchetes na mídia. Casos de vinte a trinta anos passaram a ser denunciados judicialmente. Há casos que o acusado já nem lembra, por conta da idade, mas admite poder ter acontecido. Na época era normal que acontecesse. Normal e desejado. Hoje é que a coisa esta ficando estranha. Imaginem a cena de um casal (não importando o gênero) em que antes do primeiro beijo o outro exige que façam uma declaração autorizativa. Poderá ser feita em papel apropriado, em duas vias, cujo bloco um dos parceiros leva na mochila. Na falta de papel e caneta poderá ser feita através de WhatsApp. Mas se o iPhone estiver sem bateria, ou fora da área de cobertura, nada feito. Sem declaração não se faz mais sexo.  

4.1.18

Quem é o autor?

Essa foto me foi enviada anos atrás por um amigo (a) leitor, mas não lembro quem foi. Quem souber, por favor me avise.

Crônica diária

Robert Walser (1878-1956)

Esse é o nome do escritor Suiço admirado por Kafka, Thomas Mann, Robert Musil,  entre outros. Dono de um estilo que não encontra paralelo na literatura ocidental, e que teve sua importância relegada durante muitos anos. Aqui no Brasil, onde tem quatro livros publicados não é conhecido. No entanto meu vizinho Ebehard Lung disse que na Alemanha é muito lido.Quem recomendou-me foi o Lúcio Zaccara com o livro "Jakob von Gunter - Um diário - . Quando disse a ele que não havia gostado, espantou-se, porque tem sido lido nas oficinas literárias da Livraria Zaccara com grande aceitação.   Eu achei muito chato. Tanto quanto acho o Kafka.

3.1.18

Mais três MONTANHAS

MONTANHA nº 39 em primeiro plano. Em seguida MONTANHA nº 38 e no fundo
 MONTANHA nº 40
As mesmas montanhas em outro ângulo. ( Dez 2017)

Crônica diária



Ele não é, mas morria de medo

"Gosto de caminhar e, por onde caminho, nos bairros chiques do Rio, as pessoas finas passam com seus carros grandes e gritam: 'Viado filho da puta!', 'Viado, vai pra Cuba', 'Vai pra Paris, viado'. O único consenso é o viado. Chico Buarque, na estreia da turnê Caravanas."  A historia que vou contar tem dezena de testemunhas vivas, e muito bem de memória e saúde. Fomos todos colegas do Chico em Cataguases, MG, no Colégio interno. O Américo Picanso, Geraldo Briglia, José Luiz Fernandes, José Edgar da Cunha Bueno, Olavo Moraes Barros Neto, e aproveito para fazer uma homenagem ao querido colega e amigo José Roberto Noronha que nos deixou precocemente. O Chico dormia num box ao lado do meu. Os dois dormitórios do colégio eram divididos por paredes que não chegavam ao teto, com duas passagens laterais. Uma na parede das  janelas, outra onde ficavam os armários das respectivas camas. Eram dez camas por box. Banheiros coletivos em cada dormitório. Um para os mais velhos, outro para os com menos idade. O Chico naquele tempo era o Bananal. Todos nós tínhamos apelidos. Sua timidez e silêncio levaram a comissão de trote a acha-lo um "banana", ao que alguém retrucou: " Põe banana nisso" Daí: Bananal. Nossas atividades no colégio eram marcadas pelo badalar de um sino. Quem o tocava pontualmente era o Joãozinho da portaria. Sinal para acordar, sinal para início e fim das aulas, e a noite sinal de silêncio, onde as luzes se apagavam e era proibido conversa. Certo dia três ou quatro colegas resolveram pregar um susto no pacato Bananal. Meia hora depois do sinal do silêncio foram até sua cama, certificaram-se que dormia, e puxaram-lhe as cobertas. O berro que o Bananal deu assustou mais seus algozes do que ele próprio. Bullying, embora essa palavra ainda não fosse cogitada para esse tipo de molecagem. Ele nunca mais dormiu tranquilo. Agora esta na boca do povo. Mas como já dizia o Millôr, que não gostava dele: "o Chico é o tipo de pessoa que não se empresta nem cachorro para passear na praia." O Millôr tinha razão, se não vejamos, o cara tem um apartamento em Paris, um campo de futebol particular na cidade do Rio de Janeiro, e apoia o movimento dos sem teto. Chico vá à merda.

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(Vi Leardi )

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( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
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